 A direção da Oderich tomou uma série de medidas para aumentar sua rentabilidade que estão afetando negativamente a vida de seus funcionários. Primeiro foi a troca de banco. Os funcionários recebiam seus salários no Banrisul. A empresa negociou a folha salarial com o Santader, e todos os funcionários tiveram que abrir conta neste banco, mesmo contra a vontade. Por lei, é direito do trabalhador receber seu salário em banco de sua escolha, bastando para isso, indicá-lo ao banco que detém a folha salarial, no caso o Santander. Este direito não foi respeitado. Também é direito do trabalhador receber seu salário em conta-salário, que não tem taxa nenhuma. Este direito também não foi respeitado, pois todos tiveram que abrir conta corrente no Santander, que custará, a partir do terceiro mês, no mínimo, R$ 9,90 mensais. Segundo a empresa, no terceiro mês, todos poderão requerer os direitos acima, mas para isso terão que passar por uma via crucis: conseguir liberação do encarregado para sair mais cedo para ir ao Santander, na agência mais distante (a da av. Fernando Osório), para levar o requerimento; deslocar-se até o banco por sua conta (a maioria tem que pegar dois ônibus na ida e dois na volta); enfrentar a enorme dificuldade que é fechar uma conta bancária (quem já passou por isso sabe como é). Espertamente, o Santander ofereceu talão de cheques, limite na conta e outras "vantagens" para os funcionários, assim, quem não tiver muito cuidado vai se enredar e depois não consegue fechar a conta. Os trabalhadores preferem o Banrisul, pois a grande maioria é moradora do Capão do Leão e do Fragata, onde tem agências e lotéricas credenciadas do a vida dos trabalhadores banco, além do Banricompras, que é o único cartão de crédito de muitos. Se a Oderich tivesse um pouco de consideração com seus funcionários, não teria lhes imposto este transtorno. Mas quando a teve? TROCA DE HORÁRIOS
A partir de quatro de agosto, a Oderich alterou seus horários de trabalho. Anteriormente, havia apenas um turno de trabalho na produção, que iniciava sua jornada às 7h30min e encerrava às 17h18min, de segunda a sexta. Com a mudança, foram criados dois turnos: o primeiro, das 7h10min às 15h35 min e o segundo das 15h23min às 23h37min, inclusive aos sábados. Isto causou sérios transtornos para muitos, principalmente para quem estuda e para que tem filhos pequenos, que já tinham organizado a vida conforme o horário de trabalho. Para os que ficaram no segundo turno, têm o problema do ônibus, já que à noite têm menos horários e linhas, o que afeta a segurança dos funcionários, principalmente das mulheres, que são maioria. O trabalho aos sábados, além de não ser do agrado de ninguém, tem um agravante: no sábado não tem almoço. É concedido apenas um lanche, por volta das dez e meia. Como a jornada termina à uma e quinze, grande parte do pessoal vai chegar em casa depois das duas da tarde, com uma fome do cão. Outra alteração diz respeito à troca de uniformes. Antes, o pessoal trocava a roupa dentro do horário de trabalho, e agora a troca é feita fora do horário. Isto é um retrocesso, pois a legislação diz que a troca de uniforme é tempo do empregado à disposição da empresa. Antes disso, em 2007, deixou de pagar o adicional de insalubridade para muitos trabalhadores o que obrigou o sindicato a ingressar com mais um processo contra a empresa. Enfim parece que a direção da Oderich perdeu a noção de como deixar os trabalhadores satisfeitos e esqueceu a máxima de que trabalhador satisfeito produz qualidade. |